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VOCÊ PODE SER O QUE QUISER

Leia ao som de: Joan Jett “Bad Reputation”

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Me disseram pra não cortar o cabelo porque mulher bonita tem cabelos longos, falaram também pra escovar e pranchar porque cabelo crespo natural fica parecendo bagunçado. Mas aí postaram na revista que escovar o cabelo é não aceitar o que você é, pois cabelo natural é o certo.

Mandaram eu comprar um vestido, isso de andar por aí parecendo um “machinho” queima muito o filme e afasta pretendentes, falaram que vestido curto e justo não pode, moça bonita usa roupas românticas. Mas também li em algum lugar que o estilo boyfriend está em alta nas passarelas e te faz parecer super descolada.

Julgaram aquelas veias que tenho na perna, disseram que devo tomar mais cuidado, uma menina tão nova com a perna cheia de veias e celulite não está certo. Me orientaram também que não é legal andar com essas pernas de fora, preciso cuidar delas, mas não devo mostrar pra ninguém.

Comentaram que estou muito gorda, deveria ao menos fechar um pouco a boca, mas naquele jantar em família chamaram minha atenção porque não quis comer a torta de morango da minha tia. “Falta de respeito fazer uma desfeita dessas”

Fofocaram da minha vida: que o meu relacionamento não era bom, que eu não deveria estar nesse trabalho e que escolhi o curso errado na faculdade. Me ditaram um monte de regras: que mulher tem que ter filhos, que se tiver tem que sair do trabalho, e que se escolher trabalhar tem que receber menos por causa disso. Me ensinaram um monte de coisas: que futebol não é para menina, que qualquer mulher é uma inimiga e que fazer faculdade é minha obrigação. Escreveram nas redes sociais: que eu preciso de sexo, tenho que está atualizada e ter uma religião.

Lembraram disso tudo e mais um pouco, mas não ouvi ninguém dizer: que EU TENHO ESCOLHA. Que a vida é minha e as consequências também, que eu não preciso fazer com o meu corpo algo que eu não queira e que se eu quiser eu posso fazer. Esqueceram que eu posso fazer sexo ou simplesmente não gostar disso, que eu posso ir pra faculdade ou escolher não ir, que eu posso te uma religião ou não acreditar em nada, que eu posso me vestir de um jeito e do outro também, e acima de tudo que eu posso fazer todas essas escolhas e continuar merecendo o respeito.

Tentei contar para essas pessoas o que eu descobri, elas me ignoraram e comentaram entre si que estou rebelde. Em uma das páginas do manual que me entregaram está escrito que nessas situações eu devo escutar calada e facilitar as coisas para todo mundo. Mas eu escolhi não usar mais esse manual, estou criando o meu e nele está escrito: VOCÊ PODE SER O QUE QUISER!

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Especial Hallowenn 2015

Eu sei que vocês já estão cansados de saber que eu sou cagona medrosa e não leio livros de horror. E pra quem não sabe já era hora de saber. Acontece que me pediram pra gravar um vídeo para o Hallowenn e eu fiquem sem saber o que fazer.

Nesses momentos de mente vazia sempre surgem aquelas idéias que nunca deveriam virar realidade, e foi assim que aconteceu. Decidi fazer um Game Play de um jogo de terror que não deu muito certo.

Da uma olhadinha aí.

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Resenha: Sobrevivente – Chuck Palahniuk

Que os livros do Chuck Palahniuk são os meus preferidos já não é mais novidade por aqui, só não sei se comentei que estou fazendo uma maratona e lendo todos os que já foram traduzidos para o português (comentei isso no SnapChat: milcalves). O que eu li mais recentemente foi SOBREVIVENTE e como a maioria dos outros traz um monte de assuntos polêmicos a tona para serem discutidos.

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Que horas ela volta?

Esse é o novo filme brasileiro que está dando o que falar, tanto pela história envolvente quanto pelas atuações de Regina Casé e Camila Márdila. Nesse vídeo eu falo um pouco mais sobre o filme… vem ver.

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O mal que ninguém percebe

Leia ao som de: Natiruts Reggae Power “Quem planta preconceito?”

o mal que passa despercebidoOutro dia tive contato com uma pessoa entendida, despojada e interessante. Ele era sem dúvida muito inteligente, tinha domínio sobre o conteúdo que estava aplicando, era simpático e usava uma didática muito boa.

Com esse conjunto de encantos eu teria mil motivos para me sentir confortável, mas não. No meio do conteúdo aplicado com grande exímio eu o vi tentando ser engraçado fazendo piadinhas sobre gays. No meio da seriedade com que nos ensinava sobre técnicas profissionais eu ouvi uma discreta comparação de baiano com preguiçoso. Junto com toda aquela simpatia eu percebi preconceito religioso, machismo, e um monte de discriminação velada.

Isso me incomodou bastante porque claramente ele era uma pessoa boa, alguém que eu gostaria de conversar e aprender, mas também me serviu como um tapa na cara. Ele não é diferente de mim.

Somos nós “os entendidos” que nos achamos descolados demais, inteligentes demais, modernos demais e não percebemos que estamos reproduzindo e incentivando preconceito. Somos nós que falamos com orgulho que somos a favor da diversidade, mas damos risadinhas e fazemos piada do que é diferente. Somos nós que batemos no peito que somos evoluídos e por isso não percebemos que temos muito o que mudar.

É por isso que muitas pessoas arriscam dizer que os negros já conquistaram seu lugar na sociedade, as mulheres não são mais tratadas como inferiores aos homens e os homossexuais estão exagerando quando lutam por leis que os protejam da violência. É porque está discreto. São pessoas boas reproduzindo e incentivando a maldade.

Acho que ninguém ali presente percebeu, porque não foi ofensivo… ou talvez foi, provavelmente foi, mas são poucos os que arriscam questionar quem dissemina o preconceito em forma de “brincadeirinha”.Mais do que não fazer piadinhas desse tipo, é nosso trabalho não rir, não incentivar, não “deixar para lá”. Quanto mais concordarmos e acharmos que está tudo bem, mais vai demorar para todos sermos tratados com igualdade. E não sei se todo mundo sabe, mas ser maltratado por ser diferente, por morar em outro estado, por gostar de outras coisas, por viver de outro jeito, além de ser chato pra caramba não tem graça nenhuma.

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Livro vs Filme: Veronika Decide Morrer (Paulo Coelho)

Poucas vezes me indicaram livros do Paulo Coelho e quando isso aconteceu eu dei a mínima ideia. Mas algum tempo atras vi um vídeo da Ana Roncon falando um pouco mais sobre a carreira do autor e decidi conhecer ao menos um livro dele (já que agora estou praticando conhecer coisas novas). 

Não lembro por qual motivo, mas o livro escolhido foi VERÔNICA DECIDE MORRER que por acaso também virou filme. Eu li o livro, assisti o filme e fiz um vídeo para contar um pouco do que achei. Vem ver:

Se você ainda não me segue no SnapChat, me segue lá: milcalves . Eu sempre mostro um pouquinho do livro que estou lendo. 

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Tia Zulmira e Eu – Stanislaw Ponte Preta

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Zulmira Ponte Preta nasceu no Rio de Janeiro, foi cozinheira da Coluna Prestes, paquera de Charles Darwin e colega de Albert Einstein. Não satisfeito em inventar para si mesmo um alter-ego, Sérgio Porto imaginou para ele toda uma família, o hilariante clã dos Ponte Preta, e criou uma das mais bem sucedidas brincadeiras entre criador e criatura da literatura brasileira. ‘Tia Zulmira e eu’ é a seqüência da publicação da obra integral de Stanislaw Ponte Preta.

Para quem gosta de crônicas rápidas e simples essa é uma boa opção de leitura.

Esse livro que é uma seleção de pequenos contos escritos por Stanislaw Ponte Preta vem recheado de lições de vida de forma engraçada e irreverente. Algumas sobre animais, outras sobre superstições e até sobre amor, mas todas com um pouco de verdade e muita coisa para pensar.

Em alguns momentos me senti  incomodada pela forma que as mulheres eram retratadas nas histórias, mas depois de ler um pouco mais sobre a vida do escritor e descobrir que ele era um dos que criticavam a falta de liberdade que as mulheres tinham, comecei a perceber que as histórias alí escritas nada mais são que o retrato de como era a sociedade. Pouca coisa mudou, e a realidade mostrada nessas histórias que se passam por engraçadas ainda está muito presente.

Aqui vão algumas das frases encontradas nos textos:

“Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso, em nome da liberdade”

“Uma feijoada só é realmente completa quando tem uma ambulância de plantão”

“Dono de cartório de protesto é uma espécie de cafetão da desgraça alheia”.

“As crises políticas nacionais são tratadas de maneira tão sensacionalista pela imprensa brasileira que, se a gente estiver no estrangeiro, ao ler um jornal brasileiro tem a impressão que, ao voltar, não encontrará mais o País”.

“Entre as três coisas melhores desta vida, comer está em segundo e dormir em terceiro”

“Tia Zulmira e Eu” não é um tipo de  livro que se inclui em uma meta de leitura, mas é bom ter por perto em uma viajem longa ou para aqueles momentos de tédio.