Os rótulos e a estupidez

Leia ao som de: Strike “A tendência”

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Às vezes a capacidade do ser humano ser previsível me surpreende, na verdade nem deveria surpreender, afinal é previsível, mas isso de acreditar no melhor das pessoas faz com que a gente se assuste com as merdas que elas fazem com grande frequência. Esse desabafo revoltado poderia se encaixar em várias situações clássicas de estupidez humana que vemos todos os dias ao sair de casa ou apenas ao abrir os olhos e acordar. Mas existe um caso em específico que me incomoda um pouco mais a cada dia. A síndrome do “Eu preciso me encaixar em um grupo específico de fãs de um estilo específico de música”. O nome da “doença” soa tão ridículo como de fato seus sintomas são.

Para se entender melhor (mesmo acreditando que não seja preciso ilustrar, afinal todo mundo já encontrou com alguém doente assim por aí) segue o relato:

Alguns dias atrás saindo de uma “balada alternativa” ou um “barzinho descolado” ou um “pub” ou simplesmente um lugar legal com músicas legais e amigos legais (o nome muda de acordo com tamanho da sua vontade de estereotipar), um cara “cutuca” uma amiga que estava próxima para perguntar se ela realmente gosta de rock (isso porque a banda da noite era cover de Foo Fighters). Mas não, não se empolgue pensando que ele só pensou em um jeito previsível de procurar assunto,ou estava tentando impressionar e começar a falar sobre o quanto conhece sobre a banda como vários babacas fazem  por aí nas baladas, não. Na verdade ele não achava que ela fosse digna de frequentar uma balada de “pessoas alternativas”, “descoladas”, “inteligentes’ e “cabeça aberta” simplesmente porquê não se encaixava no grupo dos “alternativos”, isso era definido pelo fato dela não estar vestida com roupas diferenciadas ou não ter uma botinha moderna nos pés.  Depois de receber uma resposta clara, explicativa e bem direta sobre como é estúpido estereotipar as pessoas, o individuo ainda se achou inteligente ao dizer que em tudo deve-se criar grupos definidos para gostos e afinidades. Sério? Sério.

Sempre tive a impressão que esses nomes “roqueiros”, “pagodeiros”, “funqueiros” e outros ficavam restritos ao vocabulário de adolescentes em fase de conhecimento sobre seus gostos. Mas o carinha solitário e ridiculamente burro que abordou essa amiga deixou bem claro que não. E aí a gente volta para aquela velha história de pessoas conformadas, amargas e que sempre vão ter o mesmo grupinho fechado de amigos e conhecidos porquê não se permitem aceitar ou viver como quer, independente se o seu artista preferido é o Elvis Presley ou a Kelly Key. Seria menos arrogante se as pessoas tivessem a liberdade de ir ao show do Arctic Monkeys mesmo tendo MC. Catra em sua Play list, ou dançar Calypso mesmo participando do fã clube do Caetano Veloso, e não se sentirem na obrigação de vestir igual todo mundo só para não ser tratado como um peixinho fora d’água.

E não venha me chamar de “farofeira” porque isso não me ofende, o que irrita de verdade é ser incluída em um desses “eiros” de cabeças pequenas e egos grandes. E no mais, tenho certeza que se aquele ser estivesse com a boca cheia de farofa a probabilidade de dizer merda seria menor.

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2 comentários sobre “Os rótulos e a estupidez

  1. Esse foi um dos seus textos que mais me identifiquei, odeio gente estereotipada que tem a cara de pau de exigir que os outros sigam o estereotipo em que eles acreditam. Roqueira de vestido de renda? Pode. Funkeiro de coturno? Pode. Pagodeiro com aba reta? Pode também. E fim de papo.
    Ótimo texto o seu, continue com o excelente trabalho ❤

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